Dicas de leitura | Exposição Escritoras Ilustradas

Na lista abaixo cito todas as mulheres retratadas no projeto, além do título das respectivas obras que foram lidas e inspiraram a escolha de citações nas ilustrações.

Minhas dicas de leitura são muito mais uma compilação dos livros que li em 2017, e não necessariamente os meus livros favoritos destas autoras!

Autora Título Gênero(s) literário(s)
1 Elizabeth Gilbert “Comer, Rezar, Amar” (2010) Autobiografia; romance
2 Lucy Knisley “Deslocamento” (2015) Autobiografia; quadrinhos
3 Bianca Pinheiro “Dora” (2014)Terror; quadrinhos
4 Christiane Felscherinow e Sonja Vukovic “Christiane F, a vida apesar de tudo” (2013) Biografia
5 Sylvia Plath – “Ariel” (1965) 
– “Os Diários de Sylvia Plath 1950-1962*” (2004)
*Sylvia Plath, Karen V. Kukil
Biografia; poesia
6 Heloisa Seixas “O oitavo selo: quase romance” (2014) Romance
7 Talita Ribeiro “Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio” (2016) Autobiografia; viagens e turismo
8 Emmi Itäranta “Memória da Água” (2014) Romance ; Ficção científica
9 Svetlana Alexievich “Vozes de Chernobyl – A história oral do desastre nuclear” (1997) Jornalístico
10 Tatiana Salem Levy “A chave de casa”(2007) Romance
11 Noelle Stevenson “Nimona” (2015) Quadrinhos
12 Silvia Viana “Rituais de sofrimento” (2013) Ensaio
13 Maggie Stiefvater trilogia “Garotos Corvos” (2013-2016) Romance ; YA
14 Emily Brontë “O morro dos ventos uivantes” (1847) Romance
15  Sarah Janet Maas “Corte de espinhos e rosas” (2015) Romance ; YA
16 Virginia Woolf – “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” 
– “Ms. Dalloway”
Ensaio
Romance
17 Marjane Satrapi “Persépolis (2007)” Autobiografia; quadrinhos
18 Chimamanda Ngozi Adichie “Hibisco Roxo” (2003) Romance
19 Simone de Beauvoir “Mal-entendido em Moscou” (2015) Romance
20 Elizabeth Blackburn & Elissa Epel “O segredo está nos telômeros” (2017) Divulgação científica
21 Lygia Fagundes Telles “Ciranda de Pedra” (1954) Romance
22 Azar Nafisi “Lendo Lolita em Teerã” (2003) Autobiográfico; romance
23 Fernanda Simioni (1993-2017) bióloga, pesquisadora e youtuber
24 Xue Xinran “As boas mulheres da China: Vozes ocultas” (2002) Jornalístico
25 Alice Walker “A cor púrpura” (1982) Romance
26 NoViolet Bulawayo “Precisamos de novos nomes” (2013) Romance
27 Cecília Meireles “Antologia Poética” (1963) Poesia
28 Clarice Lispector “Todos os Contos” (2016) Contos
29 Janet Malcolm “A mulher calada: Sylvia Plath, Ted Hughes e os limites da biografia” (1994) Biografia
30 Rupi Kaur “Outros jeitos de usar a boca” (2014) Poesia

Compilação de textos que acompanharam as publicações no Instagram durante o andamento do projeto:

1/31 Elizabeth Gilbert é uma escritora norte-americana nascida em 1969. Meu projeto do inktober deste ano é ilustrar as autoras mulheres que li até agora em 2017 e indicar as obras delas pra vocês. Eu tinha preconceito com a Liz Gilbert, achava que os livros dela seriam puro suco da autoajuda barata. Aí em 2016 a @sybylllaindicou no blog dela o livro mais recente da Liz, “Grande Magia”. O título era muito suspeito, mas engoli meu esnobismo e li. E adorei. Então, comecei 2017 lendo o livro de memórias “Comer, Rezar, Amar” (2010), que além de ser muito divertido ainda é um ótimo exemplo de como ser empreendedora com sua própria carreira.
#inktober2017 #leiamulheres #sketchbook#elizabethgilbert
2/31 @lucyknisley é uma quadrinista norte-americana nascida em 1985. Ela faz quadrinhos confessionais, autobiográficos, principalmente diários de viagem. Eu li “Deslocamento” (2015), que é um registro das memórias de um cruzeiro para o Caribe que a Lucy fez para acompanhar os avós dela. Ela traz com bastante delicadeza as dificuldades e preocupações que teve com os dois ao longo da viagem. Segundo ela, é um livro sobre “responsabilidade, família e mortalidade”. As frases da página esquerda são de uma entrevista que o Ramon Vitral publicou no site Vitralizado. O estilo de desenho é muito lindo, e a história também. Ps: já não me aguentei e usei guache colorido
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3/31 Bianca Pinheiro é a quadrinista brasileira que publica a webcomic fofíssima “Bear”, e fez o “Mônica: Força” na série da MSP produções. Mas a HQ que li em fevereiro deste ano e vou indicar é de terror: “Dora” (2014) passa longe de clichês do gênero e é extremamente bem contada. A @bianc_pinheir está com uma campanha no Catarse pra outra HQ adulta (chama “Alho Poró”), e com certeza vale seus dinheiros – procurem!
#inktober2017 #inktoberbrasil#leiamulheres #goache #sketchbook
4/31 Christiane Felscherinow é aquela do “Christiane F, 13 anos, drogada e prostituída” (1979). Hoje ela tem 55 anos e vive em Berlin, Alemanha. Pela visibilidade e fama involuntária que levantou com o relato da sua história tão pesada e tão jovem, a Christiane sempre foi assediada pela imprensa e teve sua intimidade sistematicamente exposta na mídia alemã – principalmente depois que perdeu a guarda do filho. A jornalista Sonja Vukovic fez um série de entrevistas com ela ao longo de três anos p/ trazer a público a versão da Christiane sobre as histórias publicadas. “Christiane F, a vida apesar de tudo” (2013) é um título perfeito. As entrevistas que li dão a entender que a intenção é que esta autobiografia seja panfletária na questão anti-drogas. Elas fundaram uma ONG para prevenção e educação sobre dependência – a Sonja sofreu com bulimia e anorexia durante boa parte da sua vida, e segunda ela, as motivações não são muito diferentes do vício em heroína da Christiane. A história dela teve um impacto gigantesco na minha adolescência, e eu agradeço ter tido a oportunidade de ouvi-la agora. Lembro que o livro me fez pensar bastante sobre como a vida não é “preto-e-branca”, como os tons de cinza e nuances conseguem tornar os eventos da vida de alguém amorais, e como a gente não tem o direito de julgar ninguém, nunca.
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5/31 Escrever sobre a Sylvia Plath, escritora norte-americana (1932-1963) é meio complicado pra mim, porque depois de passar um semestre inteiro lendo quase toda noite seus diários antes de dormir, é difícil não se envolver pessoalmente. Li “Ariel” (1965) e a compilação de diários dela (1950-1962). A escritora se suicidou aos 30 anos, na sua cozinha, depois de lidar com a depressão e tendências suicidas durante toda sua vida adulta; era divorciada e tinha dois filhos pequenos. Ela foi uma espécie de jovem talento, ganhou vários prêmios e publicou muita coisa no começo da faculdade, e depois sua produção artística passou a ser sistematicamente recusada para publicação. Acredita-se que a série de traições do seu ex-marido, Ted Hughes, roubou o resto de equilíbrio que ela mantinha. Convenientemente, depois de sua morte, os poemas foram aceitos e publicados. Tem algumas questões dos diários dela que são muito atuais – ela lidando com sua própria autocrítica, com a pressão autoinduzida para produzir e ser produtiva todo dia e performar bem sempre; a comparação autodestrutiva com outros escritores, a rejeição do mercado e a dificuldade de criar material vendável e palatável quando ela tinha tão mais a oferecer. É uma leitura que não vai agradar todo mundo porque a escrita dela é muito introspectiva, muito densa e filosófica. Mas obviamente, vai valer muito a pena para quem se der ao trabalho.
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6/31 Heloisa Seixas (1952) é uma escritora e tradutora carioca. Comecei o livro “O oitavo selo: quase romance” (2014) sem grandes expectativas, simplesmente porque gostei da capa e estava disponível no Kindle Unlimited. E fiquei meio chocada, porque a autora traça uma espécie de biografia de seu marido, o também escritor Ruy Castro, à partir do que ela identificou como os oito encontros dele com a morte (sim, o título é uma referência ao filme do Bergman). Meu choque foi com a leveza e desprendimento com que ela revira o passado dele com sexo, drogas, vícios, exes e relações familiares – e nos revela no livro com tanta intimidade e conhecimento de causa. Fiquei imaginando o quanto um casal tem que ser parceiro e bem-resolvido pra conseguir lidar e trazer a público os episódios que ela relata. Mas não é um livro muito pesado, e se estiver procurando um livro curtinho e bem escrito, experimenta esse. #inktober2017 #inktoberbrasil#leiamulheres #bibliofilia 
7/31 A @talitaribeiro é uma jornalista e escritora brasileira que eu admiro MUITO 💞 (e vou parar por aqui pq sou muito fã e só conseguiria produzir grunhidinhos de tietagem). Ela é autora do livro “Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio” (2016). Sinopse: “Neste livro, a jornalista conta histórias que viveu e ouviu durante as semanas que passou entre refugiados de guerra na Jordânia e no Curdistão Iraquiano. Em paralelo, a autora dá dicas turísticas dos locais que visitou e apresenta um passo a passo de como embarcar em uma viagem em que o foco são as pessoas, e não os lugares”. Além disso, os lucros do livro são revertidos para beneficiar projetos de auxílio a refugiados sírios e iraquianos. Se você precisa de mais um motivo pra ler o livro, serve o estético? A diagramação é muito linda!! (coloquei um videozinho no final, arrasta pra ver).
Obs: 1ª semana de inktober completada com sucesso, ieeei 💃
#inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #sketchbook
8/31 A Emmi Itäranta (1976) é uma escritora finlandesa. Em “Memória da Água” (2014), seu livro de estreia, somos levados a um futuro distópico no qual o impacto humano sobre o meio ambiente atingiu proporções desastrosas, e a água é o recurso econômico mais valioso que existe. Este livro, narrado em primeira pessoa, conta a história da Noria, uma adolescente que está sendo treinada por seu pai no ofício de mestre do chá. Assumir o ofício da família paterna significa guardar um segredo que é também um grande dilema moral. O livro ganhou alguns prêmios de literatura na área de ficção científica, o que é muita coisa – quem já se deu ao trabalho de reparar sabe que difícil e raro é encontrar mulheres publicadas nesse gênero literário. Independente do sexo do autor, eu quase nunca encontro livros realmente bons de ficção científica – e, nossa, Memória da Água é maravilhoso! Quem tem dificuldades com ficção sem adrenalina e que foge o clichê da jornada do herói padrãozinha não vai gostar da leitura, mas é o que eu mais gostei no livro. Ah! Ele passa fácil pelo teste de Bechdel.
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9/31 Svetlana Alexievich (1948) é jornalista, bielorrussa e ~apenas~ uma laureada do Nobel5 de Literatura. Ceis façam o favor de parar o que estão fazendo AGORA e procurem  o “Vozes de Chernobyl – A história oral do desastre nuclear” (1997). Prepare o lencinho, o suco de maracujá e o kit de desobediência civil para iniciantes – você vai precisar de pelo menos um deles quando terminar o livro.
inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela
10/31 Tatiana Salem Levy (1979) é uma escritora e tradutora brasileira. O livro “A chave de casa”(2007) foi particularmente especial pra mim porque foi a obra discutida no meu 1º encontro do “Leia Mulheres Campinas”. É um romance com toques autobiográficos, bastante intenso e cheio de simbolismos. Recomendo com ressalvas porque é pesado e cheio de gatilhos.
#inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela
11/31 Voltamos pros quadrinhos! Noelle Stevenson (1991) é norte-americana, tem dois best-sellers publicados, contratos para cinema fechados e ganhou dois prêmios Eisner (é tipo um Emmy das HQs). “Nimona” (2015) era uma webcomic que virou livro impresso e merece vários gritinhos de empolgação: que história foda! que traço fofo! que personagens bem construídos! que cores lindas! Enfim, já viram. Procurem mais porque é mara.
#inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela
12/31 A Silvia Viana é socióloga e “Rituais de sofrimento” (2013) é meu livro-explode-cabeça de 2017. Sinopse: “uma análise crítica dos ditos ‘espetáculos de realidade’, o livro encara as facetas mais indigestas da indústria do entretenimento”. Ela discute bastante o que há por trás do sucesso dos reality shows (spoiler: vai muuito além do voyerismo). Originalmente, o texto é a tese de doutorado dela (procurem na biblioteca de teses da USP), e eu não sei o quão diferente ficou a versão publicada pela editora Boitempo. Não é um texto muito acadêmico, prometo! (apesar de ser obviamente complexo). É um livro perfeito pra quem gosta de Black Mirror e se interessa sobre a sociedade do espetáculo e o mundo louco em que a gente vive hoje.
inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela
13/31A @maggie_stiefvater (1981) é uma escritora norte-americana que também desenha, pinta e é música nas horas vagas. Como boa criança criada à base de JK Rowling e JJR Tolkien, é só sacudir uma série de fantasia no meu nariz que eu levo pra casa. No caso, a Amazon fez isso e eu obviamente não resisti (ok, as capas lindas da saga dos “Garotos Corvos” (2013-2016) ajudaram muito – qualquer semelhança com a minha paleta de cores é mera coincidência). Eu não necessariamente esperava personagens bem construídos, feminismo, representatividade, uma história bem amarradinha com um universo rico e instigante – afinal, era pra ser só um guilty pleasure entre as leituras pesadas da Svetlana e Sylvia Plath. É uma boa indicação de literatura YA (“young adult”) se você estiver procurando uma. E acho que este foi o desenho do #inktober2017 que mais gostei até agora.
#inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela
14/31 Emily Brontë (1818-1848) foi uma escritora inglesa, também conhecida como “uma das três irmãs Brontë”. E eu (finalmente) li o único romance dela, “O morro dos ventos uivantes (1847)”, mas não gostei. Claro que o livro é bom (minha carteirinha de bióloga não me qualifica a falar de literatura, ainda mais um clássico desses). Mas eu detestei as personagens do começo ao fim, e podia viver sem ter lido o livro. Enfim, a Emily não deixa de ter sido uma narradora excepcional, e o meu Inktober é uma coletânea das manas que li esse ano, e não dos meus livros favoritos, não é mesmo?
Obs: 2ª semana completada com sucesso! E meu subconsciente se vingou errando o nariz dela e deixando ele esquisitíssimo.
#inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #emilybronte
15/31 A Sarah Janet Maas (@therealsjmaas , 1986) é uma escritora estadunidense que ganha a vida escrevendo fantasia YA. Eu comecei a ler os livros dela há uns 2 anos por sugestão da @pri_fontenele e já estou no 6º ou 7º volume. A protagonista da série “Trono de Vidro” (2012 – presente) me incomoda um pouco por ser meio overpowered (vulgo “apelona”) mas eu queria ter tido essa referência de personagem feminina forte quando era mais nova (e trocaria com prazer o universo da Caelena pelo do Eragorn, blé). Li também esse ano o “Corte de espinhos e rosas” (2015). E esse desenho era pra ser uma dupla exposição, mas como o universo conspirou contra eu conseguir finalizá-lo, é o que consegui fazer.
16/31 Bom, a Virginia Woolf (1882-1941) meio que dispensa apresentações. Ela foi uma escritora inglesa que escreveu alguns clássicos modernos e (segundo a wikipedia) inaugurou o uso de fluxo de consciência nas narrativas. Abriu sua própria editora, publicou gente famosa e militava pelos direitos das mulheres, especialmente pelo acesso feminino à educação. É um pouco por todas essas informações pomposas que eu adiava o momento de ler os livros dela – tentei ler “O Farol” quando era adolescente, depois de assistir “As Horas”, e não consegui sair dos primeiros capítulos. Agora, encontrei a versão de bolso da coletânea de ensaios “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” na biblioteca e acabei dando uma nova chance. E, óbvio, achei ela maravilhosa. Li também “Ms. Dalloway” e já estou com a lista de leituras futuras cheia de Woolfs pra ler agora.
Obs: esse desenho está totalmente fora da paleta de cores porque eu queria experimentar/ostentar meu CAPUT MORTUUM VIOLET 💜 e o vermelho carmin ❤  novinhos. 
#inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela #virginiawoolf
17/31
Marjane Satrapi (1969) é uma quadrinista iraniana que estudou Belas Artes na França e hoje vive por lá.

Ela escreveu/desenhou Persépolis (2007) pra contar para seus amigos franceses como foi a experiência de crescer durante a revolução islâmica, e tudo o que aconteceu na vida dela em decorrência disso. O quadrinho foi traduzido para mais de 20 idiomas e é maravilhoso. Na verdade pra mim foi uma releitura – eu li ele pela primeira vez em 2012 (?) – mas enquanto lia “Lendo Lolita em Teerã” (sim, a Nafisi tá na minha lista) eu acabei retomando a HQ porque achei os dois super complementares.
#inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela #marjanesatrapi
18/31 A Chimamanda Ngozi Adichie (1977) deve estar no seu radar literário se você é (a) frequentador(a) de livrarias (b) feminista (c) fã da Bey ou (d) entusiasta de TEDs. Ela é uma autora nigeriana e eu estou apaixonada por tudo o que ela escreve, pelas personagens que ela desenvolve, por suas histórias. Este ano eu finalmente li “Hibisco Roxo” (2003) e provavelmente vou ler  “No seu pescoço” (2009). Recomendo muitíssimo o “Meio sol amarelo” (2006) e sua palestrinha TED “O perigo de uma história única”. 
Obs: acho que foi o desenho que mais gostei do processo até agora.
#inktober2017 #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela #chimamandaadichie
19/31 Mais um mulherão que não precisa que eu perca tempo apresentando, a Simone de Beauvoir (1908-1986) me surpreendeu muito com “Mal-entendido em Moscou” (publicado em português em 2015).  É um livrinho com uma capa horrorosamente monótona que eu não teria nem pegado na mão se não fosse indicação pro #leiamulherescampinas . Mas ainda bem que eu li: só conhecia a Simone como filósofa/intelectual, e adorei conhecer a faceta romancista. Foi uma das minhas leituras favoritas do ano, é super rápida e tem no Kindle Unlimited (*–alerta de propaganda gratuita–*). Agora estou aqui tomando coragem pra ler “O segundo sexo”.
#inktober #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela #simonedebeauvoir
20/ 31 Elizabeth Blackburn & Elissa EpelA Elizabeth Blackburn é uma pesquisadora australiana da área de biologia molecular, já fez parte do conselho de bioética presidencial dos Estados Unidos e ~apenas~ recebeu um Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2009. Junto com a Elissa Epel, pesquisadora na área de psicologia e mindfulness, escreveu um livro com um título muito interessante “O segredo está nos telômeros” (2017) e um subtítulo digno de desconfiança: “receita revolucionária para manter a juventude, viver mais e melhor”. Como estava procurando um livro na área de ciências escrito por mulheres, resolvi experimentar. Ainda não engoli muito bem o subtítulo sensacionalista da tradução, mas achei uma leitura bem válida – elas fazem todas as ressalvas necessárias de que é uma área de pesquisa nova, incompleta, e com evidências ainda inconclusivas. Ao contrário de críticas que li sobre o livro, elas não encorajam ninguém a gastar seu dinheiro com testes moleculares ou suplementos malucos. É um grande estímulo pra enriquecer a indústria da “vida saudável e bem estar”? Sim, mas se fizer as pessoas refletirem com profundidade sobre o estresse e cuidar da sua saúde mental, já está valendo. 
#inktober #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela #thetelomereeffect
21/31
A Lygia Fagundes Telles (1923) é brasileira e tem 281918201 prêmios e publicações ao longo dos seus 94 anos. Eu tinha lido “As meninas” quando estava na escola, e agora li “Ciranda de Pedra” (1954). E recomendo muito. 
#inktober #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela #lygiafagundestelles
22/31
A Azar Nafisi (1948) é iraniana e professora de literatura inglesa. Em “Lendo Lolita em Teerã” (2003), ela conta sobre o impacto da revolução islâmica (1979) em sua carreira e em sua vida como mulher no Irã, ilustrando o processo com memórias sobre encontros secretos que manteve com ex-alunas para discutir literatura censurada e abolida pelo regime. Este foi um livro que eu simplesmente escolhi pelo título na biblioteca, sem fazer ideia do que se tratava, e ainda bem que eu o encontrei. Como comentei na postagem da Marjane Satrapi, ele é um bom complementar pra Persépolis. E é daqueles exemplos que reforçam o quanto as palavras são poderosas.
#inktober #inktoberbrasil #leiamulheres #bibliofilia #watercolor #aquarela #azarnafisi #readinglolitaintehran
23/31 
Ontem recebi uma notícia que me abalou muito, então decidi subverter meu inktober temático pra homenagear uma mulher incrível que infelizmente não vai mais poder ver esse retrato. A @simioni.fernanda é meu exemplo de resiliência e força. Ela foi extremamente corajosa, por muito mais tempo do que seria sensato exigir de alguém. Sempre acreditei que ela iria conseguir ter uma vida longa e feliz. Ela ganhou tantas batalhas que achei que seria infalível pra sempre, mas seus demônios internos levaram a melhor dessa vez. Espero que tenha encontrado o alívio que precisava, Fer 💔. 
Obs 1: ela era bióloga-pesquisadora e estava sempre tirando selfies com os sapos das suas coletas. Aí o Google me disse o seguinte: “O sapo simboliza a fertilidade, a abundância (…), o êxito, a força, a coragem, a morte”.
Obs 2: ela deixou documentado uma série de vídeos falando sobre seus distúrbios psíquicos, para ajudar outras pessoas (última foto). É devastador e ao mesmo tempo muito valioso. O texto na esquerda é uma transcrição de um trecho de um vídeo dela sobre suicídio e depressão.
Obs 3: Poema da 2ª foto: por coincidência, era onde estava meu marcador no livro da Rupi Kaur, deixado ali há mais de 10 dias, e conversa tanto com a fala da Fer que não tenho (não preciso de) palavras.
24/31 A Xue Xinran (1958) é uma jornalista chinesa. Em “As boas mulheres da China: Vozes ocultas” (2002) ela relata histórias densas e por vezes chocantes sobre a condição feminina na China – que ela coletou em entrevistas, cartas e investigações – enquanto comandava um programa popular de rádio, de 1989 à 1997. É um livro curtinho, sensível e esclarecedor. Existem tantas diferenças culturais, mas mesmo assim tantas interfaces e semelhanças com a nossa realidade, quando se trata da forma que a mulher é vista e tratada pela sociedade. Com certeza é uma leitura que vale a pena.
#leiamulheres #leiamulherescampinas #inktober #inktoberbrasil #bibliofilia #watercolor #aquarela #xinran
25/31 A Alice Walker (1944) é estadunidense, escritora e ativista. Pelo que andei pesquisando pra escrever aqui, ela é f*da e merece um textão à parte. Eu sinceramente não fazia ideia do que se tratava “A cor púrpura” (1982) quando o coloquei na minha lista de leitura – nunca assisti o filme, e só sabia que era uma obra importante. Bom, ressalva pra patrulha da família tradicional brasileira, esse é um livro Feminista com F maiúsculo: militante, forte, que pula na jugular e não te dá chance pra comprar o discurso do opressor. É sobre minorias, sobre ser negra, sobre ser mulher, sobre sororidade. Do meu ponto de vista, isso tudo já é um ótimo motivo pra se ler alguma coisa, mas além do mais, o desenvolvimento dos personagens é maravilhoso e se eu fosse das letras acho que piraria (mais do que já fiz) na forma que ela construiu a narrativa. E fazendo as propagandas gratuitas da vida, tem no Kindle Unlimited e deve ser fácil de achar em bibliotecas.
26/31 A NoViolet Bulawayo (1981) é uma autora zimbabuense, atualmente professora na univ. de Standford. Seu livro de estreia, “Precisamos de novos nomes” (2013) é um romance de formação sobre seis crianças crescendo no Zimbábue (uma delas migrando para os EUA), e recebeu vários prêmios. Eu pra variar não fazia ideia de nada, só li porque gostei do título e estava disponível no Kindle Unlimited. Sabe aquele discurso da Chimamanda, “o perigo da história única”, quando ela fala: “(…) Minha colega de quarto tinha uma única história sobre a África. Uma única história de catástrofe. Nessa única história não havia possibilidade de os africanos serem iguais a ela, de jeito nenhum. Nenhuma possibilidade de sentimentos mais complexos do que piedade. Nenhuma possibilidade de uma conexão como humanos iguais. (…)” ? Então, olha aí que oportunidade de ler uma boa história contada de um lugar de fala adequado. Poderia ser só mais um livro explorando a desgraça alheia, mas é ótimo, cheio de expressões engraçadíssimas (parabéns pra Adriana Lisboa, que traduziu), cru e denso na medida certa.
#leiamulheres #inktober2017 #inktoberbrasil #watercolor #novioletbulawayo #watercolor
27/31 Cecília Meireles (1901-1964) foi uma jornalista, pintora, poetisa e professora brasileira. Eu li agora no 2º semestre sua “Antologia Poética” (originalmente publicado em 63) com a seleção feita pela própria autora, e me apaixonei por vários poemas (principalmente o “Romanceiro da Inconfidência” e alguns dos “Poemas escritos na Índia”). Mas o “Motivo” é sempre demais, então foi o escolhido pra página de citações no desenho. Tem outras citaçõezinhas dela em alguns desenhos aqui no perfil, antes do inktober, é só procurar.
#inktober #inktober2017 #inktoberbrasil #watercolor #ceciliameireles
28/31 Seria quase impossível passar um ano priorizando ler autoras mulheres e não esbarrar na Clarice Lispector (1920-1977), rainha das citações com atribuições erradas no facebook. Ela foi minha crush literária quando eu era adolescente – pra mim, não existia uma pessoa no universo que (d)escrevesse tão bem como eu pensava. Mas os livros que li na época (“Água viva” e “Um sopro de vida”) eram umas leituras difíceis, que não rendiam, então passei uns 12 anos sem ler mais nada dela. Até que fui seduzida pela coletânea “Todos os Contos” (2016). Levei quase 3 meses pra ler, mas agora nós reatamos e está tudo bem de novo. Gente, joguem no Google e leiam os contos “Feliz Aniversário” e “A menor mulher do mundo” (os dois de Laços de Família) – socorro.
#inktober #inktober2017 #aquarela #bibliofilia #leiamulheres #claricelispector
29/31 Janet Malcolm (1934) é uma jornalista e escritora estadunidense, nascida em Praga. O livro “A mulher calada: Sulvia Plath, Ted Hughes e os limites da biografia” (1994) foi uma indicação das meninas do @claricesemarias e @literaterapia pro #leiamulherescampinas de outubro, e eu li correndo mas não consegui ir. Mais do que um compilado sobre o que já foi publicado à época sobre a Sylvia, é um ensaio que usa a história dela como alegoria sobre as dificuldades e limitações do gênero das biografias. Recomendo MUITO pra quem é fã da Sylvia Plath, claro. E com a leitura da Malcolm, finalmente entendi porque não gosto muito de ler biografias – selecionei alguns trechos sobre esse aspecto em particular da leitura.
Obs: vou tentar fazer o último desenho do #inktober agora e já posto! 
#inktober2017 #aquarela #bibliofilia #janetmalcolm #leiamulheres
30/31 Último desenho de INKTOBER! Gente, muito obrigada a tods que me acompanharam aqui durante esse mês infinito. Recebi tanto amor que nem tenho palavras . E completei 97% do desafio, o que é tipo um record absoluto por aqui kkk
A @rupikaur_ (1992) é uma poeta e ilustradora canadense com descendência indiana. Você que frequenta o instagram já deve ter visto no feed fotos das páginas do livro “Outros jeitos de usar a boca” (“milk and honey” (2014), pros leitores do original). Isso porque ela é meio que uma celebridade online. Tem muita gente que usa o mainstream da sua obra como argumento para desmerecê-la – que suas poesias parecem  frases de adolescente no mural do tumblr, que seu estilo de escrita fragmentado é simplório, etc. Não quero entrar neste mérito. Se o trabalho dela te toca (como me tocou), ela está no caminho certo, e é o que me importa. 
#inktober #inktober2017 #watercolor #rupikaur #milkandhoney #bibliofilia #leiamulheres

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